Eu, Daniel Blake.

4-2

Olá pessoal, hoje trago uma crítica feita do filme Eu, Daniel Blake. Espero que gostem e vamos lá..

O filme Eu, Daniel Blake é uma amostra do trabalho da atualidade em muitos países tanto em desenvolvimento, quanto já desenvolvidos. O filme aborda a história de um personagem que perdeu sua esposa, não tem família com parentes vivos e acaba por descobrir os desafios de se conseguir o auxílio do governo após sofrer um infarto do miocárdio catastrófico.
Devido as dificuldades de se conseguir o auxílio financeiro do governo britânico e o desaconselhamento dos médicos ao retorno de trabalhar, Daniel sofre consequências tanto financeiras quanto psicológicas. Na visão do trabalho marxista o mesmo deve ser constituídor de homem, ou seja, estruturante psíquico e uma abertura da realização do mesmo no exercício de seu trabalho (Marx, 1980). A visão mais percebida no decorrer da história retratada é a concepção de trabalho Tradicional, onde o trabalho é percebido como uma fonte influenciada pelo protestantismo e vê o trabalho como o único modo de ganhar a vida, combate do ócio, como glorificante, um meio para conseguir coisas e um instrumento (Borges, 2014).
Daniel, acaba sofrendo muito ao esbarrar na extrema burocracia instalada pelo governo, amplificada pelo fato dele ser um analfabeto digital. Numa de suas várias idas a departamentos governamentais, observa-se que essa burocracia não respeita e compreende ou inclui necessidades básicas de diversas pessoas que passam por lá na busca de ajuda. O que retrata até mesmo, um assédio moral por parte dos funcionários da instituição a algumas pessoas que não tem o conhecimento necessário para entendimento das instruções. Sendo assim, o assédio moral um processo de violência psicológica que acontece de maneira continuada e que produz efeito de ofensa, humilhação e constrangimento (Cattani, 2011).

Além destas condições, a precarização de trabalho é evidente na personagem Katie. A mesma muda-se para a cidade de David, onde acaba por conhecê-lo e junto com seus filhos passam por necessidades financeiras, nisto busca emprego como faxineira, mas não arranja. E acaba por se comprometer a realização de um trabalho sem vínculos empregatícios de se prostituir para conseguir dinheiro e sustentar seus filhos, e ainda arrumar a casa que tanto sonhava. A precarização do trabalho, ocorre quando há a redução ou suspensão dos direitos laborais, decorrente de uma disseminação de formas de inserção no mercado em substituição ao trabalho assalariado, e as proteções por ele associadas (Cattani, 2011).
Uma outra percepção que é bem presente na história e nos dias atuais, é a questão da banalização do mal. No filme, o ver de pessoas sofrendo e tentando mesmo com dificuldades, não impedia que os funcionários da instituição do governo para o auxilio fossem rudes e maltratassem muitos cidadãos que ali estavam presentes. No caso de Daniel, o mesmo foi ignorado em sua dificuldade diversas vezes, além de ser obrigado a aprender algo que não estava acostumado e ainda mais instruído de modo necessário para a realização destas atividades, que se não fossem feitas resultariam em uma exclusão do programa governamental.
De acordo com Hannah Arendt, a banalização do mal seria como o próprio termo já diz é uma forma de se tornar normal algo que não deveria ser, ou seja, vem da supressão de se pensar de modo crítico, o que acarretaria acompanhamento de atos de barbárie. O mal, seria uma produção sem o uso da inteligência, sem qualquer planejamento (Heloani,), o que é bem presente no filme e no mundo hoje em dia. Têm-se a tendência de ignorar o mal dentro das organizações, nas interelações etc., e isso vem crescendo a cada dia.
Uma consequência, na sáude do trabalhador que foi encontrada neste filme é a utilização de mecanismos de defesa, ou seja, estratégias defensivas por parte de Blake. A utilização de estratégias defensivas por parte de indivíduos é comum quando as condições são muito sofridas, então ele elabora as mesmas para lidar com o sofrimento. No caso do mesmo, as estratégias não estavam sendo suficientes e acaba devido a falta de reconhecimento, valorização e prazer desenvolvendo um estresse muito grande, o que leva o mesmo a ter outro infarto e ao óbito. O cenário retratado foi em um país desenvolvido e se lá é desta forma, imagina-se um país não desenvolvido e como deve ser as condições dos trabalhadores. Esta representação cinematográfica mostra a realidade em países desenvolvidos que não se é vista comumente e transmitida devido as omissões das mídias ao acesso dessas informações com maior frequência. Em definitivo, é uma história que trouxe e traz muitas reflexões ao expectador na medida em que se assiste ao decorrer da trama.

Referências:

Cattani, A., Holzmann, L. (2011) Dicionário de Trabalho e Tecnologia, 40-42.
Heloani, J. Saúde Mental no Trabalho: Algumas Reflexões, 155-159.

É isso, espero que gostem e quem não tenha visto o filme, que veja. 😊🎬📽