Neuropsicologia? O que é?

O que é a neuropsicologia?

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Então, assim como a psicologia e outras ciências, áreas de atuação e abordagens têm uma definição, existe uma definição também para a neuropsicologia. E o que seria a neuropsicologia?

Vamos lá….  🙂

O termo neuropsicologia foi utilizado pela primeira vez em 1913 em uma conferência proferida por Sir William Osler, nos Estados Unidos. Apareceu ainda como um subtítulo na obra de 1949 de Donald Hebb chamada “The Organization of Behavior: A Neuropsychological Theory.” A neuropsicologia pode ser definida como um espaço de conhecimento interessado em estabelecer as relações existentes entre o sistema nervoso central (SNC) e seu funcionamento, por um lado, e das funções cognitivas e comportamentos do indivíduo, por outro, tanto em condições consideradas normais e nas patológicas.

De maneira mais simples, a neuropsicologia seria um campo de atuação do psicólogo formado e especializado em neuropsicologia que tem como embasamento teórico as neurociências e fundamentos da psicologia. Nesta especialidade, o neuropsicólogo acaba por realizar certas atividades como: avaliação neuropsicológica, reabilitação neuropsicológica e acompanhamento neuropsicológico. E de modo mais aprimorado, temos alguns teóricos da mesma que a definiram:

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  • Luria (1981) definiu o que para ele é a neuropsicologia e ela seria a ciência cujo objetivo específico seria a investigação do papel dos sistemas cerebrais individuais nas formas complexas da atividade mental.
  • E para outros como Lezak (apud AMBRÓZIO, RIECHI 2005, p.3) seria uma “Ciência dedicada a estudar a expressão comportamental das disfunções cerebrais.”

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  • Segundo Malloy-Diniz (2010) A neuropsicologia seria uma área que se preocupa com a complexidade, organização cerebral e suas relações com o comportamento e a cognição, tanto em quadros de doença como no desenvolvimento normal, sendo definida como a ciência aplicada que estuda a expressão comportamental das funções e disfunções cerebrais.

Partindo de um lado mais histórico, como a neuropsicologia ocorreu na psicologia cognitiva?

Os construtos responsáveis pela fundamentação teórica da neuropsicologia foram constituídos a partir da junção de outras ciências, como: medicina (neurologia e neuroanatomia), fisiologia, neurociências e neuroquímica, disciplinas estas que são muito citadas em introdutórios acerca dos primórdios da neuropsicologia. Contudo, outra disciplina depois se juntou, sendo a psicologia cognitiva. A psicologia cognitiva é um ramo da psicologia que busca explicar cientificamente o processamento da atenção, da aprendizagem, da memória, da visão, da linguagem, do pensamento, entre outras funções complexas e a neuropsicologia, a princípio, se voltava para a localização do substrato anatômico destas funções cognitivas, a partir da observação em indivíduos acometidos por danos cerebrais.

Ao longo dos anos, a neuropsicologia esteve sempre estruturada sobre o estudo de casos únicos como os de Leborgne de Broca; HM de Scoville e Milner.  Ficando assim, dependente de uma observação cuidadosa do comportamento exibido pelo paciente; e, muitas vezes, guiada pelas estruturas provenientes da psicologia cognitiva. A partir dos 80, tornou-se impossível que neuropsicologia e psicologia cognitiva se mantivessem distantes e alheias. O encontro entre as áreas proporcionou que abrissem um canal de encontro que beneficiasse a todos, e a partir deste surgiram eventos, publicações e pesquisas. Desde então, a parceria denominada Neuropsicologia Cognitiva tem incrementado a partir das trocas de informações, material teórico e experiência no âmbito clínico. E sem perder é claro o perfil tradicional, a neuropsicologia mantém-se estudando a localização e organização das funções, bem como a ação de seus componentes; e a psicologia cognitiva, mais do que o nível de análise teórica ganhou maior clareza e agilidade na comprovação de suas hipóteses.

E como está a neuropsicologia hoje?

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             Em um livro que recentemente comecei a ler chamado “Neuropsicologia Hoje de Flávia Heloísa, Orlando Bueno e Vivian Maria” e com base naquilo que tenho observado muito por parte dos profissionais já formados em congressos que eu fui e vou, percebo muito que a neuropsicologia está com uma sede de criação. O que seria essa sede de criação? Seria uma vontade enorme de produzir pesquisas e materiais que contribuam para as neurociências. Há muitos estudos realizados por profissionais voltados para o avanço das neurociências, aqui no Brasil e no exterior, além do crescimento de interesse de realizar pesquisas e testes novos por parte dos mesmos.

            A neuropsicologia, além de ter uma ampla gama de aplicações na prática como pesquisas clínicas que são a maioria em âmbito multiprofissional têm aumentado cada vez mais, principalmente na resolução de problemas na neurologia, psicologia, psiquiatria, psicopedagogia, neuropedagogia, geriatria, fonoaudiologia etc. Embora seja uma ciência recente, o desenvolvimento da mesma ocorreu durante vários séculos (assunto que abordaremos melhor no próximo post), que partiu em busca da compreensão da relação entre o organismo do ser humano e os processos mentais/cognitivos até o estágio atual, o qual buscamos como o nosso SN (sistema nervoso) molda nossas FE (funções executivas), comportamentos tanto motivadores quanto emocionais.

            Queria muito abordar também o que o neuropsicólogo faz, mas acho que modo mais aprofundado ficaria melhor em outro post, individual e exclusivo para esse assunto. Mas, como também faz parte do que é a neuropsicologia, irei discorrer mais sobre o assunto de maneira mais breve e guardar esse assunto para um post posterior e individual.

Como o profissional neuropsicólogo atua?

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            O profissional neuropsicólogo atua de forma principal, na “avaliação, de forma a realizar uma avaliação neuropsicológica, com testes apropriados e escolhidos pelo mesmo para realizar a avaliação do paciente e no “tratamento” que seria o acompanhamento com intervenções, ou seja, com reabilitação neuropsicológica aos pacientes que tenham algum comprometimento cognitivo ou disfunções do sistema nervoso.

            Sendo essas disfunções, podendo estar relacionadas ao desenvolvimento anormal do sistema nervoso, como por exemplo, o TDAH, esquizofrenia, dislexia etc. E ser adquiridas ao longo da vida, como por exemplo, traumatismo cranioencefálico, acidente vascular cerebral, demências etc.

Referências: 

Fuentes, D. Malloy-Diniz, LF. Camargo, CHP. Cosenza, RM. et al.  (2007). Neuropsicologia e Prática, 1, 15-17. 

Ventura, Dora Fix. (2010). Um Retrato da Área de Neurociência e Comportamento no Brasil Psicologia. , Vol. 26 n. especial, 123-129.

Andrade, VM. Dos Santos, FH. (2015). Neuropsicologia Hoje, 1, 1-12. 

Muito obrigada por ler este post, esperamos ter ajudado e até o próximo post.  🙂

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